Responsabilidades do Mundo Adulto: estudos e carreira

escrito pela Professora, Palestrante e Historiadora Débora Regina Vogt

Nossos olhos como sociedade estão voltados para a escola. Isso de forma nenhuma é um problema, já que ela congrega uma grande quantidade de indivíduos por praticamente 13 anos de suas vidas, pelo menos. Por outro lado, hoje podemos perceber que a educação não se restringe ao ambiente acadêmico ou escolar, sendo necessário o contínuo aprimoramento mesmo dos adultos e “já formados”. A educação 4.0, por sua vez, reflete as transformações tecnológicas próprias da nossa sociedade e como essas transformações podem proporcionar uma melhora dos processos educativos. 

O nome 4.0 se refere à quarta Revolução Industrial que vivemos atualmente. Com inteligência artificial e muita automatização, muitos trabalhos passaram a ser realizados por máquinas. Sabemos que é um caminho sem volta e precisamos não lamentar um mundo que já é passado, mas transformar e permitir que nossos jovens vivenciem tudo isso e sejam protagonistas de sua vida e aprendizagem.

O letramento digital  é uma das competências centrais da Nova Base Curricular da Educação Básica. Ela reflete esta necessidade de possibilitar aos alunos reflexões, capacitações e produções também no mundo digital, que tem, por sua vez, características próprias. Capacitá-los a usar de forma eficaz as tecnologias, aprimorando a capacidade criativa e tornando-os produtores, adaptando-os à “cultura maker”, torna-se uma necessidade num mundo que muda a uma velocidade nunca vista historicamente falando. 

A autonomia, a flexibilidade e a cultura empreendedora tornam-se características essenciais do aluno que hoje está na escola. Nós não sabemos o mundo que teremos daqui a 20 anos e hoje olhando para os dez anos anteriores (em torno de 2010), incrédulos vemos celulares, computadores e sistemas de comunicação que hoje parecem extremamente obsoletos. No entanto, naquele momento eles pareciam revolucionários e transformadores, como foram em sua época a máquina de escrever, o telégrafo e o próprio bonde. Que mundo encontremos em 20 anos? Não sabemos. Contudo, para que as novas gerações consigam caminhar e se inserir de forma consistente é necessário que se perceba que mais do que características técnicas, precisam caminhar no sentido de desenvolver essa capacidade de adaptação que nos caracteriza como cidadãos do século XXI. 

Algumas características desta educação 4.0 que marcam as metodologias são:

  • Cultura Maker: como o próprio nome diz, possibilita ao aluno ser protagonista de seu aprendizado, permitindo que ele tome parte e realmente crie diferentes realidades, tornando-o um agente de produção. 
  • Ensino híbrido: ficou ainda mais forte com o isolamento social, permite que os alunos desenvolvam seus conhecimentos em parte em na escola e em parte por meio das tecnologias que em geral eles já usam para atividades como entretenimento.
  • Aprendizagem baseada em projetos: une conhecimentos de diferentes disciplinas, através de problemáticas que são apresentadas à turma de forma não isolada. Os problemas em geral têm impactos sociais e de desenvolvimento humano nas comunidades que vivem em torno.
  • Stem e Steam: unem conceitos de engenharia, matemática, ciências, artes e tecnologias para o aprendizado prático dos estudantes. Nesta linha está a robótica e até mesmo de aulas de teatro e música que possibilitam o desenvolvimento de competências e habilidades. 

A educação 4.0 permite que os indivíduos aprendam de várias formas e os torna ativos no processo de ensino e aprendizado, possibilitando que o professor faça o papel de mentor e não daquele que simplesmente repassa o conhecimento. Além disso, permite a organização e gestão escolar, por meio da automação dos processos, e o desenvolvimento da autonomia do estudante. O objetivo é possibilitar a formação de indivíduos que estejam sempre aptos ao novo com ferramentas que permitam o aprender a aprender.

Outras habilidades desenvolvidas e necessárias a todos os profissionais são empatia, trabalho em equipe, criatividade e capacidade de se comunicar. Fica evidente que essas capacidades são as requeridas no mundo empresarial e também para aqueles que se tornarão empreendedores e participarão dos processos de criação dos recursos tão necessários também às sociedades do presente e certamente serão no futuro.

Implementar todas essas transformações é um processo, sendo necessário muitas mudanças na estrutura da escola, formação dos professores e mesmo no papel do estudante e dos pais. Contudo, para que a escola estabeleça um diálogo construtivo com a sociedade é necessário que ela se torne formadora de indivíduos capazes de se adaptar, produzir e desenvolver a empatia e diálogo numa sociedade que muda cada vez mais rápido. A escola, nesta conjuntura, não é obsoleta, ela é uma necessidade nossa como sociedade. 

 

Material criado e fornecido pela Débora Regina Vogt para o Diário do Palestrante da Base SA. 

 


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