Diário do Palestrante foi criado para compartilhar com nossos leitores ideias, convicções, artigos e referencias que recebemos de palestrantes cadastrados na Base SA.

Você é um palestrante ou quer contratar uma palestra? Venha fazer parte do marketplace!


Indivíduos e organizações, atualizem-se!

Filósofa e Professora Universitária Angela Rodrigues

Com o avanço de uma realidade cada vez mais volátil, incerta, complexa e ambígua surgem desafios pessoais e organizacionais inimagináveis há poucas décadas. Novas formas de se pensar e de se conceber projetos pessoais e organizacionais se impõem criando-se um cenário que, apesar de incerto, pode se apresentar como
profundamente enriquecedor.

A humanidade já sofreu efeitos devastadores de teorias que minaram sua autoestima; freudismo, darwinismo e até o projeto genoma, para citar apenas três, defenderam que o ser humano não é tão racional quanto se imaginava e que está longe
da perfeição, por resultar de uma seleção natural que o dotou com pouco mais de trinta mil genes, imaginava-se que tínhamos cem mil! Contudo, hoje os tempos são outros e assistimos ao advento de uma onda de revalorização da perfectibilidade humana que corresponde à capacidade de aperfeiçoamento contínuo. Que fiquemos atentos a isso. Novas teorias sobre o funcionamento mental e cerebral têm surgido e com elas o fim das dualidades mente e corpo, razão e emoção, biologia e cultura o que explica a recorrência da visão holística da realidade humana e extra-humana que, a meu ver, não pode ser negligenciada por indivíduos e organizações.

É cada vez mais urgente que se entenda que a realidade em curso exige flexibilidade, adaptabilidade e reaprendizagem constantes, não só em função do prazo de validade cada vez mais curto do conhecimento, dos processos, dos valores e dos
padrões comportamentais, como também pela inadequação em se analisar o agora e o futuro a partir de parâmetros do passado. Hoje, nada é previsível e muito do que está por vir depende de formas alternativas de se pensar, o que envolve questionamentos de todas as ordens, cooperação intelectual e análises multidisciplinares.

Sob a perspectiva do indivíduo, é fundamental que se desenvolva um estilo de mindset (atitude mental) adequado à onda do aprendizado ao longo da vida (lifelong learnin). O conceito de mindset foi objeto de estudo da psicóloga Carol Dweck, que após de décadas de pesquisa concluiu que existem dois tipos de atitude mental que definem nossa relação com o mundo e os nossos níveis de satisfação com a vida, são eles o mindset fixo e o mindset de crescimento.

O mindset fixo caracteriza-se fundamentalmente pela supremacia de uma mente rígida e determinística que percebe a realidade numa perspectiva unidimensional e empobrecida; é avesso à crítica, a desafios e ao esforço requerido para a mudança. O
indivíduo com este estilo de mindset logo se percebe obsoleto, inadequado e incapaz de protagonizar em uma realidade disruptiva em que as mudanças exponenciais estão apenas começando.

Por sua vez, o mindset de crescimento corresponde a uma atitude mental receptiva à renovação intelectual, emocional e comportamental em todos os seus níveis, dotando o indivíduo da capacidade de usufruir de sua perfectibilidade. A adoção deste
estilo de mindset incita a autonomia, a autorresponsabilidade e a habilidade de se captar o caráter pedagógico de erros e insucessos. É do mindset de crescimento que emerge também a percepção da importância de habilidades socioemocionais (soft skills) tais como autocontrole, resiliência, empatia, altruísmo, pensamento e visão global e ética.

Longe de serem modismos existenciais ou corporativos, esses conceitos pontuam prerrogativas humanas até então inalcançadas pela inteligência artificial, o que as tornam cada vez mais valorizadas. São habilidades importantes também para uma vida prazerosa e significativa e para novos modelos de negócios assentados em propósito massivo, criatividade, inovação, cooperação, tecnologias sociais, digitalização e relações de trabalho horizontalizadas.

Até pouco tempo percebia-se a prevalência do mindset fixo em função da existência de valores referenciais estáveis condizentes com um projeto de vida linear e relativamente previsível. De maneira geral o indivíduo mantinha-se enquadrado em um estilo de vida pautado em relacionamentos duradouros, em carreiras bem definidas e em hábitos mentais e comportamentais relativamente estáticos. Esse enquadramento atendia às demandas de modelos de negócio baseados na estabilidade de organizações hierárquicas firmadas em processos inflexíveis, resultados financeiros, centralização do
conhecimento e pensamento sequencial.

Com a passagem da realidade sólida e estática para a realidade líquida e dinâmica, para usarmos um conceito do pensador Zygmunt Bauman, surgem inúmeras diretrizes existenciais e organizacionais resultantes da maximização da autonomia
individual e do avanço tecnológico, a previsão é que indivíduos e organizações presos à tradição tendam ao desequilíbrio, à insatisfação e à insustentabilidade.

De um ponto de vista mais pragmático, vale citar as pesquisas sobre o futuro do trabalho, popularizadas pelo Fórum Econômico Mundial, que indicam que 65% das crianças que estão iniciando os estudos hoje, terão profissões que ainda nem existem e
que no futuro próximo, será comum o indivíduo ter várias carreiras ao longo da vida. Como se preparar para esta realidade, senão através do exercício continuo da flexibilidade e da adaptabilidade inerentes ao mindset de crescimento?

Já no que se refere às tendências corporativas, tem-se insistido que o senso de propósito, a integridade e a ética constituirão as bases sob as quais se fará negócios daqui para frente. Em seu sentido mais amplo, a ética deixou de ser um problema de
consciência moral para tornar-se uma estratégia de gestão vital para as organizações. Assim como felicidade, empatia e liderança emocionalmente inteligente, a ética figura entre os novos termos do vocabulário empresarial e caberá a ela ampliar ou suprimir as possibilidades de crescimento e sucesso das organizações.

Boas reflexões!

Material criado e fornecido pela Filósofa e Professora Universitária Angela Rodrigues para o Diário do Palestrante da Base SA. 

Diario-do-Palestrante

 

 


Quer ver seu material publicado no Diário do Palestrante? Venha fazer parte da Base!

Você também pode gostar dos seguintes conteúdos:

 

Compartilhe nas redes sociais!