Carta da felicidade para a humanidade

escrito pela palestrante especialista em competências emocionais Vanessa Rodrigues

Milhares de pessoas me assediam há séculos. Sou incessantemente procurada até por quem aceita conselhos de estranhos para me alcançar, gente que se considera apta para ensinar o caminho a ser trilhado para o tão desejado encontro. Mas a busca pautada em soluções instantâneas, comum à realidade contemporânea, costuma ser fugaz. 

O trajeto normalmente acaba em uma rua sem saída, com percalços e decepções, sendo corriqueiro o pipocar de “gênios” que tudo prometem. Os pseudo especialistas no assunto, ávidos para colocar em evidência os ensinamentos de best sellers infalíveis, gritam, batem com as mãos no peito, dão dicas e fazem shows que duram uma tarde. É apropriado dizer que existe um pequeno investimento financeiro estabelecido pelos organizadores desse tipo de evento, com direito a desvendar o passo a passo da realização plena, como se as portas da felicidade pudessem se abrir num piscar de olhos. 

Caso isso não funcione, só para constar, a culpa é sua! Provavelmente você não está pronto para receber, talvez não mereça ou não tenha mentalizado direito os ensinamentos. Por favor, não se aborreça, tome seus florais, compre mais um livro de autoajuda e outro ingresso, pense positivo novamente, faça um novo programa desse mesmo mote e quem sabe terá sorte na próxima vez. Lembre-se, o universo conspira a seu favor.

Há ainda aqueles que juram que estou em coisas caras e sofisticadas, por isso se entopem freneticamente de luxo e exclusividade, divagando que vou chegar a qualquer momento, a cada bem adquirido, a cada carícia plástica comum aos  corações dependentes do consumo, como se a felicidade não estivesse em todo lugar, e nem à disposição de todos. Fui promovida a algo que apenas a alta casta tem acesso. O ditado garante que dinheiro traz felicidade.

Algumas relações são desfeitas em meu nome, mas juro que não tenho nada a ver com isso. Outras se estabelecem com a projeção de que estarei ali para sempre. As mães dizem que cheguei junto com o nascimento de seus filhos, e os pais quando encontram um emprego estável, sendo que os jovens flertam comigo no momento mais importante de suas vidas, e veja bem, na juventude, isso ocorre quase toda semana.

O fato é que a maioria esmagadora das pessoas tem certeza de que me conheceu no passado, mas deseja com muita expectativa me encontrar no futuro. E o tempo presente? Ah, o presente já está posto, as pessoas não têm tempo para pensar em mim agora.

Estudiosos da psique humana me definem de tantas formas que até eu me confundo. A filosofia garante uma reflexão profunda a meu respeito e os intelectuais abordam com frequência minha existência, sendo que alguns são meio céticos. Profissionais sérios me definem em livros, programas de televisão, reportagens de comportamento e mesmo após situações críticas, como pandemias, tsunamis e outros momentos sociais catastróficos. Até mesmo nos estudos sobre a vida biológica do ser humano encontram-se suposições para eu estar presente em apenas A ou em B, e não em C.

Como em todo grande espetáculo, as cortinas se abrem, e onde estou? Me apresento ao grande público sem exceção, mas nem sempre as pessoas me enxergam. Estou presente quando o dia nasce e quando o sol se põe, faço parte daquele momento de gratidão, quando a lágrima cai, e estou presente no paladar da comida simples do dia a dia, nos olhos que se abrem ao despertar de um novo dia, no som extraordinário da música preferida, no abraço do amigo, no beijo de amor, no cheiro da grama cortada, na comunhão da oração, no sorriso da criança, no cochilo da rede preguiçosa, na água que toca a pele no banho e até em despedidas inesquecíveis. Estou também no calo dos pés da bailarina que completou mais um dia de esforço, sou parte indivisível do seu ser em todo processo de aprendizagem, que vai refinar e seus pensamentos e levá-lo mais longe.

Tenho uma disponibilidade escandalosa para me fazer presente em todas as experiências humanas. Todas as vezes que você me procurou, eu estive ali, esperando você me ver. Tenho como irmã a esperança e ela nunca me desanima. Em tempos difíceis como os atuais, caminho de mãos dadas com a solidariedade. 

Me acha, tá? Com carinho,
Felicidade

OBS: Sou a jornada, o caminho, e não o destino.

Material criado e fornecido por Vanessa Rodrigues para o Diário do Palestrante da Base SA. 

 


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