Responsabilidades do Mundo Adulto: estudos e carreira

escrito pelo Professor, Palestrante e escritor Vinicius Oliveira

O mundo adulto é o mundo produtivo. Mais difundido entre nós como “mundo do trabalho”. Isso porque o que demarca a diferença entre adolescentes, crianças e jovens em relação ao adulto é a atividade de trabalho. Existe uma categoria em meio a todas as fases do desenvolvimento humano que é chamada “fase do adulto jovem”. É, mais ou menos sobre ela que eu quero falar, ou seja, do final da adolescência, entrada na faculdade ou no mercado de trabalho. 

O adulto jovem é aquele que está transitando da adolescência para a fase adulta. O adulto jovem vive um período de transição, da adolescência para a fase adulta. Não há uma idade certa para isso acontecer, porém legalmente uma pessoa no Brasil torna-se adulta aos 18 anos de idade. Pode ingressar na faculdade ao final dos 17 anos. Porém, muitas pessoas aos 16, aos 15 já assumem algumas responsabilidades de pessoas adultas em suas atitudes. Há também quem permaneça na adolescência por longos anos após os 18. 

Algumas teorias psicológicas definem que a fase do adulto jovem compreende a idade de 20 a 40 anos. Mas eu acredito que tudo depende da realidade em que vivemos. 

Como a teoria histórico-cultural em psicologia pressupõe, o desenvolvimento humano e todas as características humanas que nós adquirimos ao longo da vida ocorre sob a égide da Lei Geral do Desenvolvimento Cultural. Vigotski postulou esta lei que, em poucas palavras, podemos compreender que tudo o que temos de humano, todas as funções psíquicas existem antes num plano interpsicológico e depois podem passar a existir num plano intrapsicológico. Ou seja, o que sabemos sobre a vida, nossos conhecimentos, interesses, gostos, habilidades e capacidades que são do plano intrapsicológico, foi por nós apropriado do plano interpsicológico. 

Intrapsicológico é o que está internalizado em nós. O interpsicológico é o que está posto entre as pessoas. Por exemplo, eu gosto de música. Gostar de música, antes de ser parte dos meus interesses, antes era um interesse de outras pessoas. Estava entre as pessoas (inter-pessoas) que ouvem, cantam, tocam algum instrumento musical. Na convivência com as pessoas eu passei a me interessar por música.  

Quando falamos com jovens adultos ou adolescentes, é o exemplo da aptidão, habilidades, competências ou interesses profissionais. Quando eu resolvi estudar psicologia, antes eu havia tido diversos interesses profissionais. E durante os estudos em psicologia me interessei por outra profissão, ainda, a de professor. Nada de dentro para fora, mas o contrário, de fora para dentro. 

Na fase jovem da vida adulta, quando começamos a estudar, trabalhar, resolver problemas, estudar e trabalhar ao mesmo tempo, namorar, casar, etc. nós não temos certeza de nada, nem de como agir frente a uma situação nova. 

Leal e Mascagna (2016 p. 228) no capítulo 10 do livro “Periodização Histórico-Cultural do Desenvolvimento Psíquico: do nascimento à velhice” reiteram que “A inserção no mundo do trabalho e as considerações sobre o futuro e o exercício profissional constituem aspectos significativos da situação vital do adolescente, que tenta encontrar seu lugar no mundo”. Portanto já na adolescência nós começamos a pensar no futuro e o futuro do adolescente é invariavelmente ligado ao mundo do trabalho. 

As autoras continuam “Para decidir-se em relação a uma profissão, o adolescente enfrenta a necessidade de responder a um significado social e pessoal, buscando atender a expectativa de futuro, considerando a possibilidade de alcançar o sucesso e a satisfação pessoal”. Ou seja, as profissões e as atividades produtivas do mundo adulto existem e tem um significado social que deve ser transformada em sentido pessoal para cada pessoa, cada pessoa que escolhe uma profissão precisa conseguir encontrar na sua atividade profissional uma forma de se satisfazer, ao mesmo tempo em que satisfaz uma necessidade externa a ele.

 Nesse momento, as autoras relatam que “As incertezas sobre esse futuro projetado são um aspecto constante nas reflexões do adolescente povoados preocupações e medos”. E é desse último excerto que eu quero falar com você que está lendo este livro nos próximos capítulos. 

Algumas perguntas ficam no ar quando se fala em incerteza sobre o futuro, sobre medos e preocupações. Eu ouço e acolho essas dúvidas, quase que diariamente nas minhas supervisões, atendimentos, finais de aulas e palestras. 

Tentando compreender e contribuir com as demandas que me aparece, eu escrevi algumas notas no celular, transformei em textos sobre temas diversos relacionados à entrada no mundo adulto, escolhas, decisões, processo de formação, início da carreira, entre outros temas. Estes textos estão compilados no meu livro “Qual é a chave para o mundo adulto: um bate papo sobre responsabilidades, estudos, trabalho e carreira” que lancei no início deste ano pela editora Autografia.

Por fim, precisamos entender que em nossa vida sempre podemos aprender alguma coisa com os outros. Proponho que, neste momento, você reflita sobre quem são as pessoas que você tem como referência em sua vida? Quais são as atividades que você faz no seu dia a dia e quanto as coisas e pessoas à sua volta contribuem para sua mudança e seu aperfeiçoamento como profissional, estudante, pai, mãe, amigo, amiga, filho, filha.

Espero ter te ajudado a pensar um pouco sobre o que é ser adulto nos dias de hoje. Meu nome é Vinicius Oliveira, sou professor universitário e doutorando em psicologia. Até a próxima. 

 

Material criado e fornecido pelo Vinicius Oliveira para o Diário do Palestrante da Base SA. 

 


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