Você está preparado para mudanças?
escrito pelo palestrante Guilherme Carrara

 

Certa vez trabalhei em uma empresa onde o diretor dizia que a única coisa estável era a mudança, ele repetia essa frase todas as vezes que anunciava alguma modificação, por menor que fosse. Era como se fosse um mantra, o arauto que anunciaria que tudo seria diferente dali por diante, o aviso prévio de que deveríamos estar preparados para nova fase. Hoje chego a me impressionar da quantidade de vezes em que entrávamos em novas fases. O mais interessante é que da mesma forma que começava a reunião, também a terminava com outra expressão dizendo que apenas dois tipos de pessoas nunca mudam,  os loucos e os mortos, então encarava todos os presentes e terminava dizendo que a única certeza que tinha no momento é que ninguém naquela sala estava morto.

Essas duas frases por si só, davam o recado. Todos deveriam estar cientes de que mudanças seriam constantes e que a morte significaria o desligamento do louco que ousasse não encarar as modificações como algo natural. 

Hoje percebo que as mudanças serão sempre necessárias, pois são elas que trazem o desenvolvimento, mesmo que sejam precedidas por grandes dificuldades. Aceitar uma mudança é entender como sua rotina será influenciada, se adaptando às modificações e fazendo dessas a ferramenta necessária à superação de resultados anteriores.

No entanto, achar que todas as mudanças são benéficas seria mais que utopia, seria ingenuidade, algumas trazem tanto prejuízo que deveriam ser rapidamente eliminadas, antes mesmo de serem obtidos os primeiros resultados. Esta conclusão é tão lógica e clara que seria pueril pensarmos de outra forma, porém, infelizmente, a realidade não é encarada por essa ótica. Atribuem o insucesso da implantação de uma mudança à má vontade de alguns funcionários, demitem, toda uma equipe para assegurar que não haja resistência   à essa implantação e quando não há mais nada que desfoque a realidade de que a mudança não foi tão boa, resolvem voltar a trás. Quantos recursos desperdiçados, quanto capital humano perdido.   

É verdade que a preocupação em minimizar a resistência tem suas razões, no entanto como saber discernir entre uma mudança originalmente ruim daquela que se tornou ruim devido à má implantação? 

É necessária a reforma do pensamento, é imprescindível que as dúvidas em relação às mudanças sejam encaradas de forma mais madura, que o questionamento não implica uma subversão completa da realidade social e política de uma empresa. Que vivemos na era da razão e da emoção e que a união dessas duas inteligências é que será capaz de tornar todos os homens iguais. 

Os fatos devem ser analisados no contexto em que aconteceram, as decisões avaliadas mediante a urgência e a disponibilidade de informações, tudo deve ser organizado de forma metódica afim de que possamos sempre encontrar a verdade. Descartes em sua obra “O Discurso do Método” afirma que o encontro com a verdade não possui nada de dogmático, ele significa somente o encontro da razão consigo mesma num procedimento livre e metódico.

Muitas vezes ouvir e entender os questionamentos pode prevenir a implantação de um a mudança ruim, mas para isso é necessária uma boa dose de inteligência emocional. Saber discernir entre um bom questionamento daquele maldoso e subversivo não é uma tarefa fácil, para isso é necessário conhecer muito bem a realidade que nos cerca.

É sabido por todos que somente um estrategista experiente é capaz de implantar mudanças que levam um determinado grupo ao sucesso. Uma característica típica de um bom estrategista é a observação. Hoje, muitos gestores querem mostrar resultados rápidos implantando grandes mudanças tão logo são contratados, pois acreditam ser este o significado de eficiência.

Sem conhecer toda a realidade, esses novos gestores trazem um pacote fechado de ideias que seriam excelentes se fosse implantadas com as modificações inerentes ao novo local, ignoram que o sucesso de algumas ideias em determinados  lugares, nem sempre são repetidos em outros, pois para que uma mudança traga bons resultados é necessário conhecer todo o contexto, pessoalmente, antes de sugerir de que essas sejam implementadas. 

Em todos os lugares ouvimos sempre a mesma pergunta – “Estamos preparados para mudanças?”  Se não todos, a grande maioria responderá que está preparada para mudanças, mas temo em dizer que muitas vezes esse preparo não contempla amadurecimento.

Então pergunto refaço aqui a mesma pergunta com um outro enfoque. Estamos amadurecidos para mudanças? Será que somos o líder capaz de motivar nossa equipe para as mudanças necessárias em nossas empresas ou até mesmo em nossa vida?

 

Material criado e fornecido por Guilherme Carrara para o Diário do Palestrante da Base SA. 

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